Sérgio Ricardo foi o cara que quebrou o violão num Festival da Record em São Paulo. E ficou marcado por isso. Muitas vezes não lembramos que Sérgio Ricardo é autor de várias obras primas de nossa música popular. Canções hoje clássicas em nosso repertório, como Zelão, só para exemplificar.

Mas Sérgio Ricardo também é cineasta com brilhante atuação nesta área, é autor teatral e é também pintor. Em nosso país, a cultura que nos cerca não aceita (ou tem má vontade) os artistas multifacetados, aqueles que se expressam por vários meios e que são dotados de múltiplos talentos, por obra e graça da natureza e de suas personalidades.

Sérgio Ricardo desde muito cedo se iniciou no desenho e ainda criança mostrou pendores para as artes visuais, depois um pouco esquecida pela música e o cinema que o absorviam por inteiro. Na idade madura Sérgio retoma a pintura, muito por incentivo de Abelardo Zaluar, artista e mestre de todos nós. E desde esse tempo tem se dedicado com assiduidade a esta arte, com ímpetos de juventude e com a força criadora que lhe é própria.

Nesta exposição Sérgio Ricardo apresenta pinturas figurativas de corpos de mulheres que são seu verdadeiro leitmotiv, corpos entrelaçados, composições que o artista trabalha com velaturas, criando transparências. Na fase anterior suas pinturas, também de mulheres, eram mais abstratas, mais formais. Atualmente o naturalismo ganhou corpo, suas mulheres tornaram-se mais reais e por isso mesmo, sensuais.

Com composições inteligentemente armadas, sua palheta ganhou em colorido e suas superfícies pictóricas são tratadas com texturas suaves e construídas por camadas superpostas, conferindo assim uma sensação tátil muito própria. Observando-se suas pinturas podemos verificar que estamos diante de um artista verdadeiro. O músico, o poeta, o homem de teatro, o cineasta, estão todos contidos ali. São Sérgios Ricardos inteiros, que não desistem, que não jogam a toalha nunca. Sérgio Ricardo é um artista brasileiro, mais brasileiro e artista do que nunca.

Referência

Texto escrito por Cláudio Valério Teixeira, da associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Association Internacionale des Critiques d‚Art (AICA), na ocasião da exposição Transparecência, de Sérgio Ricardo, na Villa Riso - Rio de Janeiro, em 2003.