Canção do Espantalho
Sérgio Ricardo
Fasta sodade, boi perdido
É boi… sou cantador de Cajazeira
E vim cantar a minha gente
Gente que não foge do aço
Gente que não corre de macho
Nem de onça ou de mulher

Venho cantar a minha gente
Lá das bandas de Cajazeiras
Onde um coronel diz que é dono de tudo
Coronel Fragoso
Horroroso, viúvo, velho, e "varrigudo"
Como dizia o bom Joaquim pelas ruas de Piancó
Fazendo chacota dele
Quando alguém dizia que em compensação
Ele tinha a casa mais bonita da cidade

Oi pega boi, traga o boi
Amarra o boi no mourão
Machado no quengo dele
É carne prá se comer

Quero um cantinho nessa feira
Prá eu cantar a minha gente
Gente que não foge da terra
Gente que não foge da guerra
De arruaça, o que vier

E não foge tampouco do coronel Fragoso
De quem todo mundo corre
E quase se borra de medo
Quando ele vem subindo a jaqueira
Enfezado com a debandada de sua gente
Ou com a seca do sertão
Quem quiser que venha ver meus causo
Que eu conto com satisfação pra clarear as cabeças
De bom pensar
Sobre os acontecimentos de Cajazeira
Lá onde um coronel diz que é bom que só Deus
Porque dá metade pra quem planta e cuida do seu gado
Quem quiser que venha ver ser está tudo certo ou errado
Nos meus causos acontecidos
Se gostar que faça uso e bom proveito
Se não gostar
continue deixando tudo esquecido

Discos

1974_A Noite do Espantalho