Labirinto
Sérgio Ricardo
Sobre nossos dias
Nada mais que um labirinto entre montanhas
Estalagmite
quem se fez de baixo para cima
Estalagtite
os descendentes da caverna
Cheia de inscrições do passado
Iluminadas a gás neon
Com receptores de imagens
informando a vida externa
E alto falantes estereofônicos
Pelos quais ecoam as vozes
dos oráculos do nosso tempo

Noite, noite sobre noite
Pedra, pedra sobre pedra
Labirinto labirinto
Amor

Eia anda onde andas
Chamo chamas chamo chamas
Grito gritas ardo ardes
Amor

Ouço um eco ouço um eco
Já te escuto já me escutas
Já te encotro já me encontras
Amor

Eis o ponto então chegado
Pedra pedra obstante
Uma só porém gigante
Amor
Onde estás… onde estou…

Há uma fenda a mão se cabe
Nossos dedos ah ! se tocam
Sangue quente em pedra fria
Amor

Vem procura espaço largo
Ah! teus olhos ah ! teu braço
Amoldemo-nos no espaço
Amor

Já te sinto respirando
Nesta fenda assim espremida
Minha vida em tua vida
Amor

Lábio lábio labirinto
Ah o que sentes
Ah o que sinto
Venha venha venha ver
Amor

Campo verde… campo verde…