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1958_Dançante nº 1
LP / Todamérica, LPP-TA-332

Músicas

A1-Favela (Heckel Tavares e Joracy Camargo)
A2-3D (Sérgio Ricardo)
A5-A Certain Smile (P. F. Webster e Sammy Fain)
A6-Gauchinha Bem Querer (Tito Madi)

B1-Temptation (N. H. Brown e A. Freed)
B2-Destino Ruim (Jorge Gama e Darcy Moreira)
B3-Till (Sigman e Danvers)
B4-Esquecimento (Nazareno de Britto e Fernando Cezar)
B5-Uma canção a mais
B6-Tarde triste (Maysa)


Ficha Técnica

- Psssiu! Concentração, pessoal!…
LUZ VERMELHA
- Um… dois… três… quatro…
- Perdon, de nuevo por favor!…
- Que passa, Ramon?
- Nada “tchê”! Es la division complicada del ritmo brasileño.
Gargalhada geral. Apaga-se a LUZ VERMELHA.
- Aproveita a deixa e fale em mim aí, Sérgio!
- Espere, Hélcio. Já comecei com o Ramon.
Ramon Perez é o ttumbadorista do conjunto. Cubano, simpatico e sempre disposto a cooperar. Aproveitei sua temporada no Brasil para participar deste LP dançante, no intuito de enriquecer a parte rítmica das melodias.
A cigarra toca insistentemente no “studio” de gravação a espera do silêncio. Com licença um instante!
- Fale agora, Sérgio!
- Calma Hélcio!… Psssiu!… Atenção, pessoal!…
LUZ VERMELHA
- Um… dois… três… quatro…
Dois minutos e meio de concentração, música e precisão.
Apaga-se a LUZ VERMELHA e a piada sempre oportuna do Norival surge na sala de gravação, voltando a fita magnética para a gente ouvir.
Está muito interessante, mas que diabo de ritmo é esse – rock ou maxixe?
- Não fique com essa cara, Hélcio. Não tenho culpa se o Norival entrou na sua frente…
Norival Reis é o técnico de gravação, o homem dos botões e o que percebe toda e qualquer interferência de sons não solicitados, desde a mais ínfima desafinação e até mesmo os maus pensamentos. Realmente não soube definir o ritmo que acabamos de gravar, mas concorda que mexe com o corpo da gente. Para ilustrá-lo improvisou uns passos cômicos. Aqui surge uma necessidade de explicação, sem piada. A minha preocupação não foi buscar os instrumentos característicos de cada estilo rítmico e, sim, dar o máximo de colorido dançável em todos eles, sem pretender despersonalizar a nossa música, nem revolucionar ritmo algum, até pelo contrário…
- Como é Sérgio… Vai falar de mim ou não?…
- Seja cavalheiro, Helcio! Não vê que a Luely está a me fazer um gesto negativo com o dedo, pedindo para não falar nela?
Luely Figueiró veio para uma visita ao “studio”, trazendo sua graça dos pampas e uma voz personal, gostosa e afinada, que encheu o “studio” de uma atmosfera… sem comentário. Agradeceria à grande contora pela visita, se me autorizasse a fazê-lo. Pode estar descançada, Luely, que nada direi sobre você.
- Então aproveite e fale de mim logo, que diabo!…
Helcio P. Milito, não reparem, é meio nervosinho assim mesmo. Talvez por isso seja, consequentemente, um exímio baterista e um excelente amigo. Foi meu braço direito na realização deste LP, revelando-se colaborador extremista. Indicou e pessoalmente se encarregou de convidar os instrumentistas verdadeiramente talentosos que atuaram no nosso lado. Dentre eles Helinho (guitarra) “bossa nova” “boa pinta” e muita musicalidade; Meireles (clarinete e clarone) esse broto é um perigo!…; Silvio (vibrafone) tão “boa praça” e competente quanto é lindo o seu instrumento; Luizinho (c. baixo); Chuca-Chuca (vibrafone) e outros. Está contente, Helcio?
Passe em casa mais tarde para tomar um cafézinho.
Se o sucesso se dignar a ir buscar das prateleiras este disco, devê-lo-ei em grande parte aos elementos que nele atuaram. E se por ventura isso não acontecer, a esses meus amigos o meu eterno agradecimento pela tentativa, pois apagar-se a LUZ VERMELHA do “studio”, deixou de ser deles para ser minha essa responsabilidade.
Bem, meus amigos, agora vocês dão-me licença, que eu vou ali pra capa sentar-me ao lado da encantadora Maria Lúcia.
Um abraço de
Sérgio Ricardo