biografia_imagem/moviola1.jpg biografia_imagem/estudio1973-2.jpg
1973 - 1974
Monta um grupo com os músicos Piri Reis, Cassio Tucunduva, Fred Martins, Franklim da Flauta e Paulinho Camafeu. Ensaia no estúdio no anexo de sua casa e grava outro LP pela Continental, reunindo doze novas composições.

Entre elas, sucessos que seriam cantados pelos estudantes em suas andanças pelo Brasil. Tais como Calabouço (inspirado em Edson Luis, estudante assassinado pelos militares no restaurante Calabouço), Tocaia (em homenagem a Lamarca, grande herói da guerrilha), Semente, Sina de Lampião, Canto Americano e Vou Renovar (uma sátira ao momento político). Esta última passa a encerrar seus shows fazendo a platéia cantar o refrão, todos o aplaudem delirantemente.

O LP se caracteriza pelos arranjos, faz achados rítmicos explorando letra e melodia em uma elaboração sofisticada, com indicações de novos caminhos para a música brasileira. A crítica exalta seu trabalho, e algumas resenhas consideraram este o seu melhor disco.

Caulos, que fez a capa do LP, e Sérgio são intimados pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) a prestar esclarecimentos. O orgão de repressão da Ditadura Militar deseja saber porquê de Sérgio aparecer na capa com a boca cortada, e o que pretendia dizer com o refrão "cala a boca, moço" de sua música Calabouço.

Ambos se defendem com explicações "intelectualizadas", como era o costume dos artistas intimados, driblando a ignorância dos censores. O disco continua circulando, mas sua execução é proibida pela censura.

Sua casa na Urca passa a ser popular entre os artistas que a freqüentam.

Cria a firma ZEM (Zelão Editora Musical), em sociedade com Otto Engel e seu irmão Dib, para produzir o filme Noite do Espantalho com financiamento da Embrafilme. Totalmente encenado em Nova Jerusalém, o maior teatro ao ar livre do mundo, revela Alceu Valença e Geraldo Azevedo como atores e cantores. Rejane Medeiros, José Pimentel, Gilson de Moura, Diva Pacheco e Emanoel Cavalcante, entre outros, formam o elenco.

A censura, determinada a proibir o filme na sua totalidade, volta atrás, diante do convite oficial da Quinzena dos Realizadores, do Festival de Cannes. Ao escolher o filme para representar o Brasil, o Festival salva a produção, que é liberada sem cortes.

Sérgio acompanha o filme em Cannes (1974) e segue para os Estados Unidos para o Festival de Nova York, considerado, com outros 14 filmes selecionados do mundo inteiro, como os melhores do ano.

No Brasil, a originalidade e exuberância de Noite do Espantalho e acompanhada por opiniões controvertidas da crítica local.

No entanto, o filme acumula prêmios. Melhor filme, melhor música, melhor fotografia(Dib Lutfi) e melhor ator coadjuvante(Emanuel Cavalcante) no Primeiro Festival do Cinema Brasileiro de Belém. E prêmio de melhor música no festival de Cinema Jovem em Toulon, na França.

No ano seguinte, 1975, o filme é apresentado no Vienale, em Viena (Áustria), no 24º Fest. de Cinema de Melbourne (Austrália) e no 22º Fest. de Cinema de Sidney (Austrália).

É procurado por Jards Macalé, Chico Buarque e Xico Chaves para, juntos, fundarem uma associação de classe. Convocam a categoria de músicos e compositores que adere em massa a criação da Sombras, uma entidade sem fins lucrativos, com a finalidade de botar a boca no trombone contra a roubalheira do direito autoral. O movimento sensibiliza de tal forma o Governo, que em breve se criam o SDDA e o ECAD, entidades arrecadadoras.

A sede da Sombras é lambida pelas labaredas do trágico incêndio do MAM.

Ainda em 1974 sai pela Continental o LP de A Noite do Espantalho. E nasce sua filha Marina de Castro Lutfi, que chega para iluminar a Casa da Urca prenunciando a primavera.

Volta a compor e com o titulo de uma nova canção chamada Ponto de Partida, prepara um novo show para percorrer o Brasil.