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1970 - 1972
Novamente, de volta ao Rio, agora em casa própria na Urca, Sérgio lança seu novo LP, o oitavo da carreira. Nele, conta com arranjos magistrais de Theo de Barros para as músicas Mundo Velho, Arrebentação (que dá título ao disco), Conversação de Paz - a mais tocada no rádio, juntamente com Jogo de Dados -, entre outras.

Em todas as canções, mesmo nas mais líricas, o autor não abre mão da denúncia social. O disco é lançado pela gravadora nacional Equipe, de Osvaldo Cadaxo.

Sofre intimações e percebe que estaria na mira da censura. Seu compacto Aleluia é apreendido e retirado das lojas de São Paulo, por exaltar Che Guevara, e sofre cortes na letra de Dia da Graça.

Seu nome suscita a auto-censura das gravadoras, rádios e TVs, o que dificulta sua divulgação ou contratação.

Entretanto, o sucesso alcançado com a quebra do violão é lembrado a todo instante e em todas as entrevistas. As declarações ousadas contra o sistema o transformam em um dos arautos da resistência, ao criticar tanto a arrecadação de direitos autorais quanto a política vigente.

Essa divulgação, ao mesmo tempo, o afasta gradativamente da mídia. Chegando ao cúmulo de ter a execução de suas músicas proibidas definitivamente pela censura, tanto no rádio como na TV.

Aproveita para receber aulas com Guerra Peixe, revisando seu conhecimento nas técnicas de contraponto, harmonia e orquestração. Com Ruffo Herrera faz curso de música aleatória e dodecafônica. Faz ainda aula de canto com Maria Helena Betsi, tornando-se um cantor ainda mais vigoroso.

Durante os anos em que desenvolve este processo de aperfeiçoamento, consegue produzir shows em Universidades por todo pais. Mantendo-se na ativa com vários projetos.

A trilha sonora do filme Guerra dos Pelados, de Silvio Back.

Realiza o show Conversação de Paz, lançado no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Um mês depois estréia no Teatro Opinião e segue viagem pelo Brasil. Trabalha sob a direção de Renato Rocha e com cenário de Carmélio Cruz.

Faz o show Opção, no Teatro Opinião e em média temporada. Trabalha com Sidney Miller, Marcos Venício e convidados ilustres da MPB.

Lança um LP pela Abril Cultural, da série MPB, vendido em bancas de jornal.

Faz a trilha sonora do filme Terra dos Brasis, de Maurice Capovilla.

Cria e lança em sociedade com O Pasquim a série Disco de Bolso, como encarte do jornal. Suas duas edições esgotam-se nas bancas de jornal.

No primeiro, traz Tom Jobim como cantor da sua composição feita para o projeto, Águas de Março, de um lado. E, no lado B, o desconhecido João Bosco interpretando Agnus Sei, de Bosco e Aldir Blanc.

No outro disco, junta Caetano Veloso, com A Volta da Asa Branca, e o novato Raimundo Fágner, que interpreta Velas do Mucuripe, dele e de Belchior. Com o fechamento subsequente do Pasquim não retoma o projeto.

Como um presente de Natal antecipado, nasce no dia 15 de dezembro de 1972 a sua primeira filha, Adriana de Castro Lutfi. Aos 40 anos, Sérgio ganha vida nova.