biografia_imagem/festival-1.jpg biografia_imagem/comviolao65.jpg
1967 - 1969
Com composições inéditas, dentre as quais trechos das últimas trilhas, grava o LP A Grande Música de Sérgio Ricardo, pela Philips. A capa é de Ziraldo e traz 12 novas composições, entre elas Zé do Encantado, Brincadeira de Angola (parceria com Chico de Assis), A Praça é do Povo (com Glauber Rocha) e Bichos da Noite (com Joaquim Cardoso).

O rádio raramente toca alguma música de sua safra social, preferindo repetir as canções antigas que ainda se ouvem com certa freqüência. Mas nos shows que faz de norte a sul do pais, o público canta com ele suas músicas políticas, causando um grande impacto. Porém, nunca deixa de apresentar e gravar o seu repertório lírico.

Volta para São Paulo e a convite de Solano Ribeiro, inscreve a música Beto Bom de Bola no Festival da Record. Chega à final. Mas impedido de cantar pelo som das vaias, reage quebrando seu violão no palco e o atira na platéia, transformando o ato em notícia internacional.

Como desagravo, ganha alguns violões, além de shows no Rio e em São Paulo com a nata da MPB, todos solidários com seu gesto. Chovem manifestações de toda ordem na imprensa, na política etc. Consagrando com o seu gesto, como um marco na história de nossa música.

No ano seguinte, volta ao mesmo Festival com uma música parcialmente censurada: Dia da Graça, chegando também à final. A parte cortada pela censura é cantada pela platéia, acompanhada pelo Modern Tropical Quintet, enquanto ele permanece mudo frente ao microfone. O público, desta forma, se redime com Sérgio.

Convidado por Bernardo Cabral, vai denunciar o roubo do direito autoral na CPI aberta em Brasília.

Passa a compor e a participar de todos os festivais.

Dirigido por Augusto Boal, apresenta-se em seu show Sérgio Ricardo na Praça do Povo. Sozinho no palco, ele canta com a ajuda de playbacks, inclusive a música Beto Bom de Bola, com belíssimo arranjo de Rogerio Duprat. Passa a responder a questionamentos de personalidades mostradas em circuito interno de televisão. Fica um bom tempo em cartaz com casa lotada.

Ganha na TV Globo, em horário nobre das quartas-feiras, o programa Sérgio Ricardo em Tempo de Avanço, dirigido por Chico de Assis. A empreitada não dura muito. Sérgio não aceita a recomendação insistente do executivo da emissora Bonifácio de Oliveira, o Boni, de baixar o nível do programa e se demite.

Ganha outro programa como apresentador e galã de Pernas, um musical dirigido por Roberto Palmari na TV Excelsior. Mas ele não aceita as propostas oportunistas que lhe surgem em conseqüência à enorme popularidade alcançada por conta do episódio do violão. Prefere se recolher, dedicando-se a dar prosseguimento ao seu cinema.

Seu vizinho, Alexandre Machado, jornalista político, oferece-lhe uma verba para produzir seu próximo filme. Avesso ao papel de produtor, Sérgio convida para sócio seu parente distante, o cineasta Jorge Illeli, dono de uma produtora de filmes e consagrado diretor, para coordenar a produção. O filme seria A Noite do Espantalho. Enquanto se arma a produção, Sérgio trabalha com Jean-Claude Bernardet, Maurice Capovilla e Luis Carlos Pires no roteiro do projeto durante um bom tempo.

É decretado o AI-5 em 1968. A ditadura enrijece cruelmente, disposta a desmantelar toda oposição ao sistema. Institui a censura, acabando com a liberdade de expressão.

Jorge Illeli aconselha Sérgio a desistir do projeto, em função de suas colocações políticas. Com isso, é contratado o cineasta Roberto Santos para um outro roteiro. Assim nasce o filme Juliana do Amor Perdido - mais lírico, pregando a importância da leveza em uma época tão dura. Mesmo com todo cuidado para não sofrer censura, Sérgio é obrigado a cortar uma cena poética de sexo no filme. De qualquer forma, ele segue em frente.

Ganha o Festival de Santos como melhor diretor e melhor fotografia, assinada por Dib Lutfi. Pelo INC (Instituto Nacional de Cinema), Sérgio recebe a Coruja de Ouro pela melhor música; e Dib, pela fotografia. Juliana também é considerado o melhor filme de 1969 com o prêmio Governador do Estado de S.Paulo.

O INC indica o filme para representar o Brasil no 20º Festival Internacional de Berlim. Sérgio é muito bem recebido no festival. Não há premiação por conta do júri daquele ano ter sido extinto.

Na volta, já o esperam Jorge Jonas - que o convida para compôr a trilha sonora de seu filme A Compadecida de Suassuna - e Roberto Santos, que lhe entrega um dos episódios de seu filme Vozes do Medo para musicar.